A ACCBA, Associação de Criadores do Barrocal Algarvio agradece a todos os que, após o visionamento do programa Couto e Coutadas da RTP2, tiveram uma palavra de ânimo para com trabalho que estamos a realizar, no sentido de preservar o Cão do Barrocal Algarvio.
Como foi dito na reportagem, nunca comercializámos um único animal, no âmbito da nossa Associação. Temos, isso sim, oferecido muitos exemplares, com o objectivo de divulgar a raça.
Entretanto, após o referido Programa, os emails e telefonemas atingiram números que não nos permitem responder de imediato às solicitações para oferta de cães. Vamos, no entanto, guardar todos os contactos para, em tempo útil, responder aos pedidos.
Acrescentamos que todo esse esforço de divulgação é realizado à custa “dos bolsos” dos associados, alguns dos quais já gastaram muitos milhares de euros. Pedimos, por esse motivo, alguma compreensão.
Cão do Barrocal Algarvio esteve à beira da extinção
Identificada como raça algarvia, o Cão de Água não é a única pois o Cão do Barrocal Algarvio, que esteve à beira da extinção está em recuperação graças ao esforço de algumas criadores e da recém constituída Associação de Criadores do Cão do Barrocal Algarvio
Ao longo de gerações, o Cão do Barrocal Algarvio foi identificado, por caçadores e não só, como “cão abandeirado”, “fraldado”, “felpudo” ou “guedelhudo”, devido à forma da sua cauda e pelo comprido e macio.
Excelente caçador, tanto na caça menor como nas montarias, o Cão do Barrocal Algarvio foi usado ao longo dos tempos pelos caçadores do Algarve, sem que alguém tivesse reparado na sua especificidade e personalidade e com potencial para futuro reconhecimento de mais uma raça portuguesa.
A partir dos anos 60 do século XX e com a massiva introdução utilização de cães de parar, este cão típico do Algarve, esteve à beira da extinção; restaram alguns exemplares nas matilhas e em focos, posteriormente identificados, do Barrocal.
Há mais de 10 anos, José Afonso Correia, o decano dos matilheiros do Algarve, começou a chamar a atenção para a identidade própria deste cão e para a necessidade de o recuperar.
Deste modo, com esse objectivo bem preciso, nasceu a Associação de Criadores do Cão do Barrocal Algarvio, após alguns anos de amadurecimento de ideias muita procura de novos “sangues”.
Para ultrapassar a questão da diversidade de denominações que o identificavam, decidiu-se que Cão do Barrocal Algarvio seria o nome a adoptar, porque identifica o cão, a faixa geográfica de onde procede, o Barrocal e a região a que pertence, o Algarve.
O número de exemplares à partida era exíguo; no enanto, o trabalho intenso de procura para localizar mais animais por toda a Região deu frutos. Desde então, e com esse potencial em mãos, tem sido possível realizar o nosso trabalho.
A Feira de Caça e Pesca e do Mundo Rural do Algarve, organizada pela Federação de Caçadores do Algarve é um importante evento anual da região. Desde 2004 que o Cão do Barrocal Algarvio se faz representar com um número significativo de exemplares. Por exemplo na edição de 2008 com cerca de 100 e na de 2009 alguns mais.
Desde essa data, 2004, que os Drs. Jorge Rodrigues e José Ribeiro, presentes nas sucessivas edições da Feira de Caça fazem observações e identificação, bem como estudos morfométricos em alguns exemplares. O D. Jorge Rodrigues encetou, a partir dessa data, um trabalho fotográfico muito importante para o Cão do Barrocal Algarvio. Em 2008, ambos procederam à recolha de pêlo dos cerca de 100 exemplares presentes na Feira para futura investigação genética, identificando, em simultâneo, graus de parentesco.
Ainda em 2008, com o patrocínio da Federação de Caçadores do Algarve e do seu president, Vítor Palmilha . Actual Presidente da CNCP – procedeu-se à recolha de amostras de sangue dos espécimes existentes, para uma análise de DNA para comprovar a homogeneidade genética do grupo de animais e permitir a comparação com outras raças.
Rogério Teixeira é o presidente da Associação de Criadores do Cão do Barrocal e um dos que mais deseja o seu reconhecimento.
Reconhece que esta raça merece ser credibilizada?
“Tenho cerca de 20. Era um cão que estava distribuído pelas matilhas. De vez em quando aparecia um, depois outro. Havia o perigo de misturar com outras raças e se calhar até se perdeu um bocado.
O José Afonso que há muitos anos tem cães destes, um dia começou a pensar que seria bom recuperar o cão do Barrocal que tinha outro nome.
Então constituímos a associação e a partir daí com alguns problemas, resolvemos chamar-lhe Cão do Barrocal.
A primeira medida foi criar um site. Trouxemos alguns à feira e a criação tornou-se imparável.
A característica fundamental é o rabo, os pêlos nas pastas e a base das orelhas com um tufo. Além disto tem um comportamento diferente dos demais.
O trabalho tem sido muito. Ainda não temos qualquer entidade pública que nos apoiasse ou se dirigisse perguntando se querámos alguma ajuda.
Temos outra dificuldade que é não conseguirmos ter um canil porque ninguém os licencia.
Estes cães são muito meigos
José Afonso Correia, o grande “responsável” pela preservação da raça esclareceu algumas dúvidas.
“Tenho em casa muitos cães desta raça, no Arneiro, próximo e Faro, à volta de 80 exemplares. Aqui estão meus e de outras pessoas.
Não têm pedigree porque ainda não estão registados mas estamos a trabalhar nesse sentido.
As dificuldades são as normais que para se registar qualquer coisa neste paí é sempre difícil. A Federação de Caçadores do Algarve colabora e estamos a trabalhar nesse sentido.
Estes cães não são comercializados. Os seus são utilizados na caça ao javali, aos coelhos, perdizes, etc. São muito bons e rápidos. São cães meigos e para companhia são espectaculares”.