segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Onde Para o Coelho? 2

terça-feira, 10 de novembro de 2009

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Os nossos bébés



terça-feira, 3 de novembro de 2009

O cão do Barrocal Algarvio no Jornal do Algarve


O cão do Barrocal Algarvio no Jornal do Algarve


Entrevista de Sofia Cavaco Silva

Depois de determinadas cinco linhagens a associação mergulhará na investigação genética

Cão do Barrocal Algarvio no rasto do reconhecimento

A confirmar-se geneticamente que o cão do Barrocal Algarvio é uma raça completamente diferente do podengo ou outra raça que lhe possa ser atribuída, o Algarve garantirá mais uma raça própria que não poderá ser reivindicada por outros. Segundo os fundadores da Associação de Criadores do cão do Barrocal Algarvio, depois de concluído este processo e dadas as características do animal, a sua proliferação pelo mundo fora, envergando o nome Algarve será uma realidade incontornável. Um património da região que ficará garantido mas que não tem obtido grande atenção das entidades oficiais


Com uma presença no Algarve cuja memória oral das gentes do interior da região fazem recuar pelo menos duas centenas de anos, o Cão do Barrocal Algarvio só passou a ter este nome depois da entrada no novo milénio. Neste momento, este cão continua a ser divulgado, criado, reproduzido e promovido pela Associação de Criadores do Cão do Barrocal Algarvio, uma associação sem fins lucrativos e cujo objectivo passa pelo não deixar perder uma raça algarvia que consideram ter características extraordinárias e nem deixar que ela seja reconhecida como raça noutro país. “Temos a convicção que é um cão diferente dos outros”, refere Rogério Teixeira, um dos membros fundadores da associação.

Actualmente a associação conta com pouco mais de uma dúzia de sócios e está a criar as condições necessárias para que a raça seja reconhecida pela Associação Portuguesa de Canicultura. Para que se concretize esse reconhecimento é preciso que existam pelo menos duzentos exemplares sem misturas com outras raças e têm de existir pelo menos cinco linhagens diferentes.

De acordo com os entrevistados, Rogério Teixeira e José Afonso Correia, deverão existir actualmente perto de mil cães, mas só contam os que provarem através de análises de sangue que não têm relação de consanguinidade e tenham linhagem identificada. “Estamos a tentar identificar as linhagens para fazer os cruzamentos”, refere Rogério Teixeira recordando que já foram feitas algumas análises na Universidade do Algarve. Os resultados obtidos que incluíram 15 cães indicaram que 11 deles eram precisamente iguais e totalmente diferentes dos resultados existentes de outros animais. Resultados que vieram trazer mais ânimo ao grupo de criadores.

Em entrevista ao Jornal do Algarve, Rogério Teixeira sublinha que o trabalho que vêm desenvolvendo visa “assegurar o cão enquanto raça algarvia, património do Algarve. Precisamente para não dar azo a que aconteça o que aconteceu com outros cães portugueses que aparecem noutros lados com o nome desses países como é o caso do cão de água espanhol, quando segundo se diz o cão de água era todo do Algarve”.

“Temos a convicção que é um cão diferente dos outros”

Com presença assídua na Feira de Caça e Pesca do Algarve, a associação tem vindo a trabalhar para conseguir delinear de forma clara as linhagens e perceber as características de cada animal para perceber os traços que definem este cão. Nesse sentido, têm percorrido o Algarve de uma ponta à outra para procurar mais exemplares. “O número de exemplares à partida era exíguo; No entanto, o trabalho intenso de procura para localizar mais animais por toda a região deu frutos”, refere a associação no seu espaço virtual (www.caodobarrocalalgarvio.com). Por outro lado, desde 2004 que dois especialistas têm vindo a fazer recolha de diversos dados sobre vários cães do barrocal que são apresentados.

Estudos morfométricos, recolhas de pêlo, fotografias e outras observações têm sido reunidas por estes especialistas que futuramente pretendem disponibilizar estes dados para a elaboração do derradeiro estudo científico que irá determinar se o cão do barrocal é ou não é uma raça única e não apenas uma sub-raça do podengo como, de resto, também existem alguns defensores.

“Que há representatividade, alguma homogeneidade de tipo, dedicados e apaixonados criadores é um facto, mas não chega”, referiu Jorge Rodrigues, juiz de exposições de cães de parar e de raças portuguesas na última Feira de Caça e Pesca e do Mundo Rural. Apesar de deixar as certezas para depois de concluídos os estudos genéticos, este especialista pensa que a História pode dar um contributo importante para esclarecer e justificar a presença de uma raça diferente que não possa ser considerada uma sub-raça dos podengos. Recordando que o Algarve foi ocupado por árabes entre 711 e 1249. “Para esses povos que em geral designamos de Mouros ficaram por cá, miscigenados com as populações da Reconquista (moçárabes). Para a religião islâmica professada por estes árabes invasores, os cães eram considerados impuros, mas havia uma excepção – o Saluki – considerado uma dádiva de Alá e que já era representado pelos Sumérios cerca de 7000 anos a.C. e considerado pelos egípcios o Nobre. O Saluki é um galgo ligeiro de pêlo curto, tem um crânio estreito e focinho pontiagudo, orelhas caídas abundantemente peludas, membros felpudos atrás e a garupa algo descaída com os ossos ilíacos salientes; a cauda é felpuda e enrola um pouco”, refere o especialista. Em tom de graça diz que este seu raciocínio pode não passar de uma estória, mas remata: “mas a História confere-lhe fundamento”.

Apesar das confirmações e incentivos que a associação tem vindo a receber ao longo dos anos, os seus sócios continuam a sentir que esta tem sido uma luta solitária que as entidades oficiais da região não souberam até agora abraçar.

“Não percebo porque é que os políticos não nos apoiam, porque isto promove o Algarve. Realmente já toda a gente fala do cão do Barrocal Algarvio e o algarvio está sempre associado”, refere Rogério Teixeira. Se ao nível das candidaturas para as autárquicas dizem ter sido convidados a reunir com um candidato, lamenta que o interesse não seja mais alargado e inclua, por exemplo, os recém eleitos deputados da Assembleia da República pelo Distrito de Faro. Garantindo que não estão nesta luta por dinheiro mas sim por paixão, lamentam que o trabalho científico relativo à identificação da raça não possa ser co-financiado com fundos comunitários ou nacionais.

Independentemente do modo como as entidades oficiais olham para o cão do barrocal, a associação vai continuar a sua luta. “Nós gostamos do cão e do que estamos a fazer. Portanto, não desistimos às boas”, garante José Afonso Correia acrescentando que “o cão sempre existiu e vai continuar a existir cá no Algarve”.

CAIXA

Como reconhecer um Cão do Barrocal Algarvio

Principais Qualidades: Excelente companhia, cão de guarda e de caça tanto para o coelho como para a perdiz e até para o Javali. Dinâmico, perspicaz, rápido e demonstra óptimo relacionamento com as crianças.

Cabeça: bem levantada, leve e fina com stop ligeiramente pronunciado. Crânio ligeiramente mais curto que o chanfro nasal;

Olhos: semi-oblíquos em forma de amêndoa, devido à grande intensidade solar que se faz sentir na região que lhe dá origem. O castanho é a cor predominante.

Orelhas: Com implantação alta, erectas e pontiagudas em forma de pirâmide;

Pescoço: Seco e de médio comprimento;

Linha Dorsal: semi-arqueada;

Tórax: de média profundidade, chegando aos codilhos ou ligeiramente mais abaixo, o que lhe permite grande resistência na caça;

Membros: secos, forte e aprumados;

Ventre: l.igeiramente arregaçado;

Cauda: comprida, chegando abaixo dos corvilhões, de pelo liso e comprido que em acto venatório ou alerta, forma uma bandeira;

Pêlo: liso e médio, muito macio, sem sub-pêlo, razão pela qual é designado de Felpudo, Lanudo ou Fraldado;

Cores: Mais frequentes são amarelos (claro, escuro e fulvo), preto, castanho (claro e escuro), branco unicolor ou malhado, conjugando qualquer das cores anteriores;

Altura: Macho - 45/55 cm ; Fêmea – 40/50 cm

Peso: Macho 20/25 kg ; Fêmea 15 / 20 kg.


III Feira da Perdiz




Estivemos lá

"Organizada pela Câmara Municipal de Alcoutim, a qual visa promover o concelho como zona privilegiada da cinegética nacional, nomeadamente caça à perdiz vermelha, é já no próximo fim-de-semana que se vai realizar a Feira da Perdiz em Martim Longo.
O evento, que já vai na edição, decorrerá no fim-de-semana de 30, 31 de Outubro e 01 de Novembro, no Pavilhão José Rosa Pereira, o qual , segundo a organização terá uma grande variedade de artigos ligados á caça, exposições de espécies cinegéticas, artesanato, gastronomia regional, animação musical e actividades radicais, são alguns dos atractivos desta feira, que, nas edições anteriores, tem trazido centenas de visitantes ao concelho." In Região Sul

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

O C.B.A no Jornal A Avezinha


foto


Arquivo: Edição de 17-09-2009

SECÇÃO: Reportagem

Cão do Barrocal Algarvio esteve à beira da extinção

Identificada como raça algarvia, o Cão de Água não é a única pois o Cão do Barrocal Algarvio, que esteve à beira da extinção está em recuperação graças ao esforço de algumas criadores e da recém constituída Associação de Criadores do Cão do Barrocal Algarvio




Ao longo de gerações, o Cão do Barrocal Algarvio foi identificado, por caçadores e não só, como “cão abandeirado”, “fraldado”, “felpudo” ou “guedelhudo”, devido à forma da sua cauda e pelo comprido e macio.

Excelente caçador, tanto na caça menor como nas montarias, o Cão do Barrocal Algarvio foi usado ao longo dos tempos pelos caçadores do Algarve, sem que alguém tivesse reparado na sua especificidade e personalidade e com potencial para futuro reconhecimento de mais uma raça portuguesa.

A partir dos anos 60 do século XX e com a massiva introdução utilização de cães de parar, este cão típico do Algarve, esteve à beira da extinção; restaram alguns exemplares nas matilhas e em focos, posteriormente identificados, do Barrocal.

Há mais de 10 anos, José Afonso Correia, o decano dos matilheiros do Algarve, começou a chamar a atenção para a identidade própria deste cão e para a necessidade de o recuperar.

Deste modo, com esse objectivo bem preciso, nasceu a Associação de Criadores do Cão do Barrocal Algarvio, após alguns anos de amadurecimento de ideias muita procura de novos “sangues”.

Para ultrapassar a questão da diversidade de denominações que o identificavam, decidiu-se que Cão do Barrocal Algarvio seria o nome a adoptar, porque identifica o cão, a faixa geográfica de onde procede, o Barrocal e a região a que pertence, o Algarve.

O número de exemplares à partida era exíguo; no enanto, o trabalho intenso de procura para localizar mais animais por toda a Região deu frutos. Desde então, e com esse potencial em mãos, tem sido possível realizar o nosso trabalho.

A Feira de Caça e Pesca e do Mundo Rural do Algarve, organizada pela Federação de Caçadores do Algarve é um importante evento anual da região. Desde 2004 que o Cão do Barrocal Algarvio se faz representar com um número significativo de exemplares. Por exemplo na edição de 2008 com cerca de 100 e na de 2009 alguns mais.

Desde essa data, 2004, que os Drs. Jorge Rodrigues e José Ribeiro, presentes nas sucessivas edições da Feira de Caça fazem observações e identificação, bem como estudos morfométricos em alguns exemplares. O D. Jorge Rodrigues encetou, a partir dessa data, um trabalho fotográfico muito importante para o Cão do Barrocal Algarvio. Em 2008, ambos procederam à recolha de pêlo dos cerca de 100 exemplares presentes na Feira para futura investigação genética, identificando, em simultâneo, graus de parentesco.

Ainda em 2008, com o patrocínio da Federação de Caçadores do Algarve e do seu president, Vítor Palmilha . Actual Presidente da CNCP – procedeu-se à recolha de amostras de sangue dos espécimes existentes, para uma análise de DNA para comprovar a homogeneidade genética do grupo de animais e permitir a comparação com outras raças.

Rogério Teixeira é o presidente da Associação de Criadores do Cão do Barrocal e um dos que mais deseja o seu reconhecimento.

Reconhece que esta raça merece ser credibilizada?

“Tenho cerca de 20. Era um cão que estava distribuído pelas matilhas. De vez em quando aparecia um, depois outro. Havia o perigo de misturar com outras raças e se calhar até se perdeu um bocado.

O José Afonso que há muitos anos tem cães destes, um dia começou a pensar que seria bom recuperar o cão do Barrocal que tinha outro nome.

Então constituímos a associação e a partir daí com alguns problemas, resolvemos chamar-lhe Cão do Barrocal.

A primeira medida foi criar um site. Trouxemos alguns à feira e a criação tornou-se imparável.

A característica fundamental é o rabo, os pêlos nas pastas e a base das orelhas com um tufo. Além disto tem um comportamento diferente dos demais.

O trabalho tem sido muito. Ainda não temos qualquer entidade pública que nos apoiasse ou se dirigisse perguntando se querámos alguma ajuda.

Temos outra dificuldade que é não conseguirmos ter um canil porque ninguém os licencia.

Estes cães são muito meigos

José Afonso Correia, o grande “responsável” pela preservação da raça esclareceu algumas dúvidas.

“Tenho em casa muitos cães desta raça, no Arneiro, próximo e Faro, à volta de 80 exemplares. Aqui estão meus e de outras pessoas.

Não têm pedigree porque ainda não estão registados mas estamos a trabalhar nesse sentido.

As dificuldades são as normais que para se registar qualquer coisa neste paí é sempre difícil. A Federação de Caçadores do Algarve colabora e estamos a trabalhar nesse sentido.

Estes cães não são comercializados. Os seus são utilizados na caça ao javali, aos coelhos, perdizes, etc. São muito bons e rápidos. São cães meigos e para companhia são espectaculares”.

Por: Arménio Aleluia Martins